COParente reúne lideranças indígenas rumo à COP30: voz e unidade nos territórios
Entre os dias 8 e 10 de julho de 2025, a aldeia Yawatxivan, na Terra Indígena do Rio Gregório, no Acre, foi palco de um encontro histórico: o COParente, um fórum que reuniu lideranças indígenas de diversas regiões do país para alinhar estratégias e propostas conjuntas de participação na COP30, que acontecerá em novembro de 2025, em Belém (PA).
O evento contou com a presença de importantes lideranças, como a deputada federal Célia Xakriabá (PSOL/MG) e a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, além de representantes de instituições, pesquisadores e apoiadores da causa indígena. Entre os presentes estava também o presidente do Instituto Rautibuya, Cacique Yãki Huni Kuin, representando o Instituto, sua aldeia Segredo do Artesão e toda a Terra Indígena da Praia do Carapanã, em Tarauacá, Acre. Sua participação reforçou o compromisso da organização em fortalecer o protagonismo indígena e levar a pauta climática diretamente dos territórios para os espaços globais de decisão.
O COParente foi realizado pela Associação Sociocultural Yawanawá, com apoio do Governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas, do Ministério dos Povos Indígenas, da Comissão Pró-Índio do Acre, do Fundo Socioambiental CASA, da Funai, da Wild Foundation e da Wildlife Works.
Além das rodas de debate político, a programação incluiu momentos de intensa troca cultural. As conversas abordaram preocupações urgentes, como os grandes projetos de infraestrutura que ameaçam a região, destacando-se a integração rodoviária com o Peru pelo Vale do Juruá e a construção da ferrovia interoceânica, que ligará a Bahia ao Porto de Chankay, no Peru, passando pelo Acre.
Para Francisco Piñako, coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), o diferencial foi a descentralização da discussão:
“O mais importante é esse debate vir para o território. Essa agenda nunca foi tratada de maneira descentralizada. Sempre participamos através de alguém convidado. Aqui colocamos na mesa o que é esse espaço da COP, e a oportunidade de chegar lá de forma articulada, não individual, mas unificada.”
A Universidade Federal do Acre também esteve presente, representada pelo pesquisador Foster Brown, que apresentou dados preocupantes sobre as mudanças climáticas e seus impactos para a vida na floresta e para toda a humanidade.
Principais deliberações do encontro
- Mobilização contra o PL 2159/2021 (chamado pelos participantes de “PL da Devastação”);
- Construção de uma posição conjunta entre povos e organizações indígenas do Acre e região sobre temas-chave da COP30: clima, biodiversidade, salvaguardas, créditos de carbono e repartição de benefícios;
- Preparação de representantes indígenas com informações, estratégias e propostas para uma participação qualificada e articulada na conferência;
- Fortalecimento do protagonismo indígena, levando às negociações internacionais as realidades, prioridades e soluções construídas nos territórios;
- Defesa dos direitos originários, garantindo que as soluções climáticas respeitem os modos de vida tradicionais, a autonomia e os direitos territoriais dos povos indígenas.
📌 Nota: O COParente antecedeu o Mariri Yawanawá 2025, realizado entre 11 e 17 de julho na mesma aldeia Yawatxivan, reforçando a conexão entre os momentos de diálogo político e a celebração cultural dos povos Yawanawá e aliados.
O Instituto Rautibuya reforça que estar presente em espaços como o COParente é fundamental para garantir que as vozes das aldeias ecoem no cenário internacional. É nas margens dos rios, nas roças, nas casas de reza e nas assembleias comunitárias que nascem as soluções que podem inspirar o mundo — e é para levar essas soluções à COP30 que seguimos unidos.






